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Os campeões da impaciência

A Taça da Ásia começou há apenas uma semana, mas já foram duas as selecções a trocar de técnico

Milovan Rajevac deixou o cargo de seleccionador da Tailândia após ser goleado pela Índia Jorge Silva/Reuters

Por muito mal que as coisas corram, é pouco comum um seleccionador ser despedido a meio de uma grande competição. Dois casos no mesmo torneio seria algo extraordinário, mas foi o que aconteceu na Taça da Ásia, que decorre nos Emirados Árabes Unidos. Primeiro foi a Tailândia a dispensar o sérvio Milovan Rajevac. Três dias depois, a Síria despediu o alemão Bernd Stange. As duas equipas podem nem chegar à final, mas o título de campeões da impaciência já ninguém lhes tira.

Rajevac não resistiu à derrota pesada sofrida frente à Índia (4-1) na primeira jornada do Grupo A. “Se perder contra a Índia não era expectável, porque a diferença de qualidade individual é evidente, perder por 4-1 foi inadmissível. Daí que a saída do Rajevac se tenha tornado praticamente inevitável”, notou ao PÚBLICO o português Luís Viegas, há cinco anos a trabalhar no futebol tailandês como analista do Bangkok United, acrescentando: “A situação já era de algum modo de crise desde a Suzuki Cup, que é a principal competição de selecções do Sudeste da Ásia. A Tailândia é sempre uma das principais favoritas, ou mesmo a principal, mas foi eliminada nas meias-finais e sobretudo não teve boas performances.”

O sucessor foi rapidamente encontrado: Sirisak Yodyardthai, um dos adjuntos de Rajevac, assumiu de forma interina o comando. “Tem passado como jogador, extremo-esquerdo”, disse Luís Viegas. Esta é a segunda experiência do técnico, que antes trabalhou num clube chamado Thai Honda – segundo a Wikipedia, fazia de tudo um pouco antes de chegar a treinador, incluindo carregar equipamentos, preparar refeições, e conduzir a carrinha da equipa. Mas não era bem assim, explicou Luís Viegas: “A questão é que ele ajudava em tudo o que fosse necessário, até porque a logística e a organização é algo que foi evoluindo aos poucos no futebol tailandês. Na verdade ele é funcionário da empresa – o Thai Honda pertence à subsidiária da Honda na Tailândia. Por vezes foi adjunto, quando o clube contratava treinador estrangeiro, mas esteve quase sempre como principal e foi ele que subiu a equipa à primeira liga, há três anos.”

A mudança técnica na Tailândia – que não disputava a fase final da Taça da Ásia desde 2007, quando foi co-anfitriã da competição – obteve resultados imediatos, com um triunfo sobre o Bahrein (1-0) na segunda jornada. E foi em busca desse efeito que também a Síria decidiu fazer uma alteração na equipa técnica. Depois de se terem estreado com um empate perante a Palestina (0-0), os sírios foram batidos pela Jordânia (2-0), ditando o final do consulado de Bernd Stange no cargo.

Após ter ficado muito perto da qualificação para o Mundial 2018 (só caiu no prolongamento do play-off contra a Austrália), a Síria partia com grandes expectativas para esta Taça da Ásia. “Os treinadores são sempre responsáveis pelo desempenho da equipa”, assumiu o técnico alemão, substituído por uma cara conhecida dos sírios: Fajr Ibrahim assumiu o comando, naquela que será a sua quarta passagem pelo cargo de seleccionador da Síria.

Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias de futebol e campeonatos periféricos